Ainda não sabe por onde começar?
Sete perguntas, dois minutos. No fim sabe o que o seu espaço precisa, quanto tempo demora e o que tem de ter pronto para a primeira conversa.
Não existe uma distância universal entre focos: a grelha que funciona numa sala pode ser errada numa cozinha ou num quarto.
Atualizado em 26 de setembro de 2026
De todas as decisões de uma obra, esta é a que tem o prazo mais curto: quando o teto falso fecha, acabou. Mudar um foco depois é abrir o gesso, refazer e voltar a pintar.
A distribuição certa depende da utilização do espaço, da altura do teto, da posição do mobiliário e das características da luminária escolhida. Os números que se seguem são referências de pré-dimensionamento para habitação — ajusto-os sempre à luminária final e, em projetos mais exigentes, confirmo-os com cálculo luminotécnico.
No quarto privilegio o conforto, e evito uma grelha rígida de focos. Para um quarto de 12 a 15 m² — cerca de 3,00 × 4,00 m, pé-direito de 2,50 m —, uma solução equilibrada é:
Uso duas fiadas de focos, e evito pôr algum mesmo por cima da zona da cabeça da cama.
Importante: se a cabeceira já tem luz integrada, não preciso de compensar a ausência de focos sobre a cama com mais um ponto no teto.
Com um roupeiro de 60 cm de profundidade, não ponho o foco simplesmente no centro do quarto. Prefiro aproximar a luz da frente do móvel, para iluminar o interior e quem o está a usar.
Parto de 40 a 60 cm da frente do roupeiro, mas confirmo sempre com a ótica do downlight escolhido — um feixe mais fechado pede menos distância do que um feixe aberto.
Penso a sala em camadas de iluminação, não numa grelha uniforme. Para uma sala de 20 a 25 m² — cerca de 4,00 × 5,00 m, pé-direito de 2,50 m —, uma solução possível é:
Como ponto de partida: parede → foco, 60 a 80 cm; foco → foco, 1,20 a 1,50 m. Mas ajusto sempre ao mobiliário — se há uma parede de televisão, não faz sentido pôr uma fiada de focos mesmo por cima do ecrã, porque cria reflexo; se há uma obra de arte, troco um foco de iluminação geral por um downlight orientável, apontado à peça.
Quando a sala inclui a mesa de jantar, trato essa zona à parte: sala com iluminação geral por downlights, mesa com pendente ou conjunto de pendentes, parede com o seu destaque. Três circuitos, não um — assim não preciso de acender a sala inteira só para jantar a dois.
A suspensão sobre a mesa fica entre 70 e 90 cm do tampo — abaixo disso ofusca quem está sentado à frente, acima disso passa a iluminar a sala em vez da mesa. E centra-se com a mesa, não com a divisão: uma mesa encostada a um lado leva a luz com ela.
A cozinha é provavelmente a divisão onde o posicionamento exige mais cuidado. Numa cozinha de 12 m² — cerca de 3,00 × 4,00 m —, o erro mais comum é pôr 6 focos numa grelha perfeitamente centrada: quem está à bancada acaba entre a fonte de luz e a superfície de trabalho, a projetar a própria sombra em cima do que está a cortar.
Com armários de cerca de 60 cm de profundidade, posiciono os focos a pensar na frente da bancada, não no meio da cozinha. Numa configuração destas, uma fiada de downlights fica a 50 a 70 cm da parede — mas o posicionamento final depende sempre da profundidade dos móveis e da ótica da luminária.
Junto a isto, uso luz sob os armários superiores ou uma linha integrada no próprio móvel: aproxima a fonte da superfície de trabalho e reduz a sombra de quem lá está.
Para uma ilha, há duas soluções que uso: pendentes sobre o eixo da ilha, ou downlights orientáveis (ou uma linha de luminárias) sobre ela.
Não decido o número de focos automaticamente a partir do comprimento — uma ilha de 2,40 m não tem sempre três pontos iguais. A posição relaciona-se com o comprimento, o número de lugares, a função da ilha, a largura e o tipo de luminária. A nota das medidas de cozinha tem as distâncias de bancada e corredor.
Aqui separo sempre a iluminação geral da iluminação facial. Para uma casa de banho de 5 a 6 m², pé-direito de 2,50 m, uma configuração possível é: 2 a 3 downlights gerais e luz própria no espelho. No duche não ponho foco — uso LED no teto falso, sobre a zona.
Este é um dos pontos mais importantes. Um foco no teto, mesmo por cima de quem está em frente ao espelho, cria sombras fortes nas órbitas, no nariz e no queixo. Para maquilhagem, para barbear ou para os cuidados do dia a dia, prefiro uma luz mais próxima do rosto, distribuída lateralmente ou integrada no próprio espelho.
Não trato o foco do teto como substituto da luz do espelho.
Nas zonas húmidas, as luminárias têm de respeitar os volumes definidos no projeto de eletricidade — isso não é escolha de decoração.
Num corredor de 1,20 × 4,00 m, por exemplo, não uso a mesma grelha de uma sala. Uma solução possível: 3 focos alinhados no eixo do corredor, espaçamento de 1,20 a 1,40 m, com o primeiro e o último afastados das extremidades de forma equilibrada. Se a parede tem quadros, fotografias ou um revestimento decorativo, prefiro uma luz orientável a valorizar essa parede.
Para um pré-dimensionamento, uso uma lógica simples. Exemplo: uma sala de 5,00 × 4,00 m, com cerca de 1,40 m entre focos como objetivo. Começo por dividir o comprimento em três intervalos — 5,00 ÷ 3 ≈ 1,67 m — e a largura em dois — 4,00 ÷ 2 = 2,00 m.
Estes valores podem ser demasiado elevados para a luminária escolhida. Uma solução de 3 × 2 focos funciona com uma luminária de distribuição ampla; uma de feixe mais fechado pode pedir uma distribuição diferente. É aqui que entra a fotometria.
Em vez de perguntar «quantos focos devo colocar», pergunto «que área consigo iluminar adequadamente com esta luminária, à altura a que vai ser instalada».
Duas luminárias com exatamente o mesmo fluxo — 800 lúmenes, por exemplo — mas ângulos de feixe diferentes, 36° e 60°, não devem ser instaladas com o mesmo espaçamento: a distribuição da luz é diferente, mesmo com o mesmo fluxo.
| Divisão | Espaçamento inicial | Distância à parede | Principal cuidado |
|---|---|---|---|
| Quarto | 1,20–1,50 m | 0,60–0,75 m | Evitar excesso de focos sobre a cama |
| Sala | 1,20–1,50 m | 0,60–0,80 m | Coordenar com o mobiliário |
| Cozinha | 1,20–1,50 m | 0,50–0,70 m | Evitar sombras na bancada |
| Casa de banho | 1,20–1,50 m | 0,50–0,70 m | Complementar com luz no espelho |
| Corredor | 1,20–1,40 m | — | Criar ritmo longitudinal |
| Roupeiro | 1,00–1,30 m | 0,40–0,60 m da frente | Iluminar o interior e a frente |
Estes valores são orientativos — não são distâncias regulamentares.
A luz de sanca só funciona se tiver espaço para se abrir. Deixo 10 a 15 cm entre o ponto de luz e a face da sanca ou o início do cortinado. Encostada, desenha uma risca dura em vez de um banho de luz.
Não se resolvem com uma malha regular. Marcam-se ponto a ponto, no desenho, com o corte do teto à frente — e confirma-se a altura livre de cada um.
Uma boa planta de iluminação não deve parecer uma coleção de pontos distribuídos geometricamente pelo teto. Tem de haver uma relação clara: arquitetura → mobiliário → função → iluminação → ambiente. É por isso que, antes de definir os pontos de luz, preciso de ter pelo menos uma versão preliminar da planta de mobiliário. O teto responde ao espaço que está por baixo dele — nunca o contrário.
Estes números são os que uso quando faço a especificação de uma casa. Não substituem o projeto de eletricidade nem as regras de instalação: quem confirma zonas, proteções e secções é o eletricista, com o projeto à frente.
Sete perguntas, dois minutos. No fim sabe o que o seu espaço precisa, quanto tempo demora e o que tem de ter pronto para a primeira conversa.