Ainda não sabe por onde começar?
Sete perguntas, dois minutos. No fim sabe o que o seu espaço precisa, quanto tempo demora e o que tem de ter pronto para a primeira conversa.
Uma cozinha desenhada pelos móveis fica bonita. Desenhada pelas distâncias, funciona.
Atualizado em 26 de setembro de 2026
A cozinha é a divisão onde um erro de cinco centímetros se paga todos os dias. Não é uma questão de gosto: é a única divisão da casa onde se trabalha de pé, com as mãos ocupadas, e onde a distância entre duas coisas decide se o espaço é agradável ou irritante.
Estas são as medidas com que desenho, e o que cada uma resolve.
O padrão é 90 cm, e chega-se lá somando o móvel base (72), os pés ou o rodapé (10 a 15) e o tampo (2 a 4).
Mas o padrão é uma média, e quem cozinha não é uma média. A regra que uso: a bancada deve ficar 10 a 15 cm abaixo do cotovelo de quem mais cozinha. Para uma pessoa alta, 95 cm poupa as costas; para uma pessoa baixa, 85 cm evita cozinhar com os ombros levantados. É uma decisão de dois minutos que se toma uma vez e dura vinte anos, e não custa mais dinheiro nenhum — muda-se a altura dos pés.
Profundidade: 60 cm de móvel, com o tampo a avançar para 62 a 65. Nos armários superiores desço para 30 a 35 cm — mais fundo do que isso e a cabeça bate quando se está debruçado sobre a bancada.
50 a 60 cm de espaço livre. Abaixo de 50 já se bate com a cabeça ao trabalhar de frente para a parede; muito acima, a prateleira de cima deixa de se alcançar sem banco.
O topo dos armários altos costuma ficar entre os 210 e os 220 cm, alinhado com a altura das portas da casa. Quando se sobe até ao teto, o último nível é arrumação de época — a loiça de Natal, não o dia a dia.
Frigorífico, lava-loiça e placa são os três pontos entre os quais se anda o tempo todo, e o desenho clássico chama-se triângulo de trabalho: a soma dos três lados fica idealmente entre 400 e 700 cm. Menos do que isso e tropeça-se de um ponto para o outro; mais, e passa-se o dia a andar.
Numa cozinha estreita, de um só lado ou em corredor, não há triângulo possível — e não faz mal. A resposta é alinhar os três pontos em sequência linear, sempre pela mesma ordem: guardar, lavar, cozinhar. O que interessa não é a forma, é não obrigar a cruzar o próprio caminho a meio de uma tarefa.
Acima da placa, a distância depende do tipo de placa e é o fabricante que manda, porque é uma questão de segurança e não de estética:
Mais baixo aquece o aparelho, mais alto deixa de aspirar. Confirme sempre na ficha técnica do modelo escolhido.
Entre duas frentes de trabalho — duas bancadas, ou bancada e ilha:
Um cuidado que se perde facilmente ao ler uma planta: a largura do corredor não é a folga entre as duas frentes — é a folga mais a profundidade das duas bancadas. Uma bancada de 60 cm de cada lado com 120 cm de circulação entre elas ocupa 240 cm entre paredes, não 120.
Em cozinhas estreitas, a decisão certa é muitas vezes desistir da segunda frente: uma cozinha linear com um bom corredor funciona melhor do que uma cozinha em U onde ninguém passa.
60 a 90 cm de bancada livre. É onde se corta, e é a zona mais usada da cozinha — a que menos deve ficar cheia de pequenos eletrodomésticos parados.
Gosto de manter a sequência lógica da loiça suja: tira-se da mesa, lava-se ou enxagua-se, entra na máquina. Por isso ponho o caixote do lixo por baixo ou junto ao lava-loiça, nunca à distância, e a máquina de lavar loiça encostada a ele — para não se andar com pratos molhados pela cozinha toda. A máquina standard leva 60 cm; há modelos compactos com 45 cm, que resolvem bem uma cozinha pequena ou uma casa com pouca loiça.
O sentido de abertura da porta decide-se antes da compra, não depois: uma porta que abre contra a ilha ou contra a parede errada fica meio aberta para sempre. Deixo sempre alguma folga lateral para a porta abrir por completo, e não encosto o frigorífico ao forno — um aquece o que o outro tem de manter frio. A ventilação, dianteira ou traseira conforme o modelo, é a ficha técnica que manda, não o desenho do móvel.
À volta de uma ilha, 100 a 120 cm livres de todos os lados por onde se circula.
A profundidade muda com a função: só bancada de trabalho, 60 a 70 cm chegam; com arrumação dos dois lados, sobe para 90 a 120; com lugares sentados, ao módulo de 90 cm soma-se 25 a 30 cm de balanço para os joelhos, e a ilha acaba com 115 a 120 cm de profundidade total.
Se a ilha levar bancos:
E 55 a 60 cm de largura por lugar, senão os cotovelos encontram-se.
O forno em coluna instala-se com o tabuleiro à altura do cotovelo, entre 85 e 95 cm do chão. Tira-se um assado sem dobrar as costas nem levantar acima da linha dos ombros, que é onde as queimaduras acontecem.
O micro-ondas nunca acima de 140 cm ao fundo do aparelho: mais alto, tira-se um prato quente às cegas e por cima da cabeça.
Duas coisas que se decidem noutro sítio mas se pagam aqui:
Uma cozinha com muitos móveis e nenhuma bancada livre é o erro mais comum que vejo, e vem quase sempre de escolher os armários antes de desenhar o trabalho — de decidir o catálogo antes de decidir onde é que as mãos vão estar.
| Elemento | Medida |
|---|---|
| Altura da bancada | 90 cm (85 a 95, conforme quem cozinha) |
| Bancada aos armários altos | 50 a 60 cm |
| Corredor entre bancadas | 107 a 122 cm |
| Circulação à volta da ilha | 100 a 120 cm |
| Exaustor sobre indução/vitro | 60 a 70 cm |
| Exaustor sobre gás | 70 a 80 cm |
| De um lado / do outro da placa | 38 cm / 30 cm |
| Ao lado do frigorífico | 40 cm |
| Tabuleiro do forno em coluna | 85 a 95 cm |
| Micro-ondas, ao fundo do aparelho | até 140 cm |
| Tomadas sobre a bancada | 1,05 a 1,10 m |
Sete perguntas, dois minutos. No fim sabe o que o seu espaço precisa, quanto tempo demora e o que tem de ter pronto para a primeira conversa.